Dez Anos de Candida auris no Cenário Hospitalar: O que aprendemos sobre esse patógeno emergente?

Candida auris é um fungo de grande relevância epidemiológica dentro das instituições de saúde devido sua alta capacidade de provocar infecções graves nos pacientes internados, principalmente naqueles mais comprometidos pela doença de base e ainda pela sua enorme capacidade de disseminação intra e inter hospitalar.

Desde que foi isolado e a espécie identificada pela primeira vez em 2009 no Japão, em uma paciente de 70 anos de idade internada no Tokyo Metropolitan Geriatric Hospital, a qual apresentou o fungo em secreção do canal auditivo externo; esse patógeno rapidamente se disseminou por 33 países, nos cinco Continentes.

Na América do Sul o primeiro isolamento de C. auris foi no Nordeste da Venezuela [cidade de Maracaibo] em 2012, mediante um surto que ocorreu na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital terciário e o qual atingiu 18 pacientes, sendo 13 deles pediátricos. A taxa de mortalidade nesse surto foi de 28%.

Há uma década C. auris vem sendo relatado por instituições de saúde, provocando surtos, óbitos principalmente em pacientes mais graves, transmissões intra e inter hospitalares aceleradas e alta resistência aos antifúngicos disponíveis, como o fluconazol, por exemplo.

No Brasil até a presente data, não foi identificado caso de C. auris, mas essa espécie de Candida é de difícil identificação.

Para ressalta os 10 anos de surgimento de Candida auris no mundo, selecionamos um artigo lançado agora em set/2019 pelo JAMA, onde aborda algumas características desse patógeno, segundo os conhecimentos que se tem até o momento.

  • Uma vez introduzidas nas instituições de saúde, cepas de C. auris se espalham eficientemente de paciente para paciente.
  • O ambiente parece ser o principal reservatório de C. auris, levando à contaminação das mãos e roupas dos profissionais de saúde e se espalhando por meio do contato direto com os pacientes.
  • Mecanismos de virulência, como a formação de biofilme, podem permitir que C. auris permaneça viável em dispositivos plásticos por até 14 dias e em superfícies úmidas por até 7 dias.
  • Mobiliários, cateteres e equipamentos reutilizáveis, como bombas de infusão e sondas de temperatura, geralmente se tornam contaminados por C. auris
  • A candidemia com sepse é comumente relatada, mas infecções intra-abdominais e graves em feridas também ocorrem.
  • Infecções invasivas devido a C. auris são difíceis de gerenciar devido à resistência a drogas antifúngicas; aproximadamente 40% dos isolados de C. auris serão resistentes a 2 ou mais classes de medicamentos e 10% serão resistentes a todos os antifúngicos. Aproximadamente 90% dos isolados de C. auris nos Estados Unidos são resistentes ao fluconazol, conferindo provável resistência a outros azóis e 30% serão resistentes à anfotericina.
  • O isolamento imediato de indivíduos com suspeita de C. auris é importante, o pessoal de controle de infecção da instituição deve ser notificado e procedimentos de isolamento apropriados devem ser iniciados.
  • Pacientes com suspeita ou confirmação de C. auris devem ser colocados em quarto privativo com precauções padrão e de contato, com rigorosa adesão à higiene das mãos e uso de aventais, luvas e equipamentos individualizados. Coorte de profissionais de saúde e demais colaboradores pode ser considerada uma medida extra importante.
  • A limpeza e desinfecção diária e terminal do ambiente e a remoção de dispositivos desnecessários são essenciais.
  • Hipoclorito de sódio (NaOCl – 1000 partes por milhão) parece ser o agente mais ativo para a desinfecção de rotina e terminal do ambiente; o vapor de peróxido de hidrogênio também pode ser eficaz.
  • O rastreamento do paciente para C. auris envolve a obtenção de culturas de vários sítios corporais, incluindo e principalmente axila e virilha.

Esses são alguns dos pontos levantados no artigo.

JAMA. Setembro/2019; Insights Clinical Update. Pag: E1-E2.

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No que se refere à desinfecção do ambiente com hipoclorito de sódio em casos de Candida auris, em outro trabalho publicado também esse mês de setembro no Journal of Hospital Infection, os autores sinalizaram que o tempo de exposição do ambiente contaminado com o fungo ao agente desinfetante é mais relevante do que propriamente a concentração do produto. Eles reforçam ainda a grande capacidade que C. auris tem de formar biofilme, o que vem a impedir a ação efetiva dos desinfetantes, incluindo o hipoclorito de sódio; e por conseguinte, conferindo grande capacidade do fungo em persistir no ambiente hospitalar.

J Hosp Inf. Set/2019 (103)1: 92-6.

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Vale a pena conferir os artigos na íntegra!

Colaboração: Kátia Costa [25/Set/19]

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